quinta-feira, agosto 31, 2006

Diana Spencer

Mais um aniversário passa sobre o desaparecimento de Diana Spencer, mais uma vez vamos ouvir falar uma enxurrada de coisas patéticas, se estava grávida, se o corpo foi embalsamado, se o desgraçado do Dodi estava com as calças para baixo como li numa revista (Tenham dó!!!!). Se a morte dela foi encomendada pelos serviços do M16????
Quantos mais casos vão arranjar á defunta?
Já sei vão descobrir que dormiu com o Príncipe Carlos, oh porra não vale, esse já não dá, tinha-me esquecido que esse até foi marido dela... prontos lá se vai vender menos não sei quantos milhares de revistas... Já chega de conspurcar a memória de uma pessoa que foi vítima de uma situação criada sabe-se lá por quem...tantos protocolos...tanta treta... alguém nos últimos tempos por acaso falou das situações boas que Diana Spencer criou para minimizar o sofrimento de outras pessoas, talvez até para minimizar o próprio sofrimento, já que sabemos que não era santa nenhuma, talvez fizesse estas obras de caridade para se sentir útil? Acarinhada? Amada? Essa resposta fica no ar...Pode ser que este ano o “espírito” de Diana “desça” sobre a “bruxa da tusa” e venha-nos responder : “Sim, meu filho, eu falo Português, um espírito não têm língua”...ora tenham lá santa paciência....

Paz á sua alma.



quarta-feira, agosto 30, 2006

Eduardo Viana - O supersticioso e obstinado


Eduardo Viana, pintor nascido em Lisboa no dia 28 de Novembro de 1881 na Rua do Loreto, nº 13 no quarto - andar, filho de José Afonso Viana e de D. Maria das Dores Fonseca Viana foi um dos nomes sonantes da pintura do século XX em conjunto com outros pintores como Amadeu de Sousa-Cardoso, Almada Negreiros, Robert Delaunay e Sónia Delaunay, Mily Possoz (de quem veio a estar noivo entre os anos 1919-1925) entre outros.
Uma personalidade impar,”(...) Supersticioso, austero, exigente e obstinado (...)” era capaz de “(...) raspar qualquer trecho ou pormenor, aparentemente insignificante, de uma tela já coberta; repintá-lo uma, duas, número sem conto de vezes, até acertar na forma, mas, sobretudo, no tom, era, para Eduardo Viana, o pão nosso de cada dia.
Que saibamos, um ano (...) levou o insatisfeito pintor a encontrar, após sucessivos ensaios, a cor de um simples lenço sobre que, numa natureza morta, repousavam uns frutos (...)”
Matriculou-se no Curso Geral de Desenho da Sociedade de Belas-Artes em Lisboa no mês de Outubro de 1896, terminando o mesmo em Julho de 1903 com a média geral de 13 valores.
Passou largos anos da sua vida fora de Portugal (Paris e Bruxelas), entre os anos de 1905 e 1940.
Recebe vários prémios entre eles: Prémio Columbano em 1941 e 1948 e em 1965 Prémio Nacional de Arte.
Eduardo Viana nunca foi homem de muitos amores, para além do noivado com Mily Possoz, casou ainda mais duas vezes, do primeiro casamento nasceu a sua única filha Josefa Pereira Viana. O segundo casamento foi com Noémia Duarte Ramos.
Para além da pintura,“ (...) Os seus espectáculos predilectos, as touradas, o pugilismo e o circo (...)”.
O pintor faleceu em Lisboa no dia 21 de Fevereiro de 1967, na Rua de Santo Amaro, no nº 23 (...) onde residia e tinha a sua oficina (...).
As suas obras de arte estão espalhadas um pouco por todo o lado, principalmente em colecções particulares, no entanto encontra-se no Café da Brasileira em Lisboa ( Salão de Chá ) duas obras do autor “Sintra” e “Paisagem Algarvia”.
Nunca tive coragem de entrar neste lugar e ir ver as duas obras, pois não sei qual será a minha reacção quando encarar de perto algo de tão belo, pintado por quem foi meu Bisavô.
Este texto só foi possível de ser escrito através da pesquisa do livro “Eduardo Viana” e de um prefácio escrito pelo professor Carlos Ramos um ano após a morte do pintor.

terça-feira, agosto 29, 2006

Crónicas da vida de um gato

Olá, esta semana venho cá só cumprimentar-vos e deixar aqui um poema do nosso Fernando Pessoa. Está cá uma caloraça, não faço outra coisa se não andar deitado por ai...
Miauus e turrinhas para todos.... do vosso amigo Neco....

GATO QUE BRINCAS NA RUA

Gato que brincas na rua

Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.
Bom servo das leis fatais

Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.
És feliz porque és assim,

Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

segunda-feira, agosto 28, 2006

Tomar

Sendo eu uma apaixonada por fotografia, não poderia deixar de expor aqui algumas das fotos que mais gosto.Esta semana falo-vos de Tomar, esta cidade e seus arredores têm cantinhos fantásticos, lugares em que a objectiva de uma máquina fotográfica consegue captar para além do que nós vemos na realidade.Esta cidade que durante muitos anos foi apenas vila, foi elevada á categoria de Cidade no ano de 1844, na sequência da visita da Rainha D. Maria II.Como muitas outras vilas de Portugal, Tomar foi conquistada aos mouros no ano de 1147, por D. Afonso Henriques, sendo doada de seguida à Ordem dos Templários.D. Gualdim Pais (figura marcante da história desta cidade), em 1160 inicia a construção do Convento e do Castelo, por ordem de D. Afonso Henriques. Mais tarde, estes monumentos tornam-se a sede dos Templários em Portugal. Esta Ordem Religiosa foi muito importante para o desenvolvimento desta cidade.Tomar teve outras figuras importantes para o seu crescimento, uma dessas figuras foi o Infante D. Henrique, responsável pelas primeiras obras de renovação do Convento de Cristo e alterações profundas na estrutura da vila.No reinado de D. Manuel II finalizou-se as obras no Convento, podendo a olhos vistos ver as influências do estilo Manuelino, principalmente na Janela do Capítulo. Nos dias de hoje esta cidade é muito conhecida por causa das Festas dos Tabuleiros, realizada de quatro em quatro anos. Esta festa é em honra do Espírito Santo tendo as suas origens no século XIV criada pela Rainha Santa Isabel.Tomar á ainda muito visitada pelos amantes dos desportos náuticos.É uma terra que vale a pena visitar e quem sabe perder largas horas a descobrir todos os recantos que a história deixou para trás.

sábado, agosto 26, 2006

Carlos Paião - A memória para sempre...

Ainda não refeita do choque do dia anterior, no dia 26 de Agosto de 1988, mais uma vez a minha mãe acorda-me para me dar mais uma notícia má... Carlos Paião tinha morrido, acho que fiquei sem palavras... levantei-me da cama, sentei-me na cozinha com o pequeno almoço á frente, mas a única coisa que eu conseguia engolir eram as minhas lágrimas... hoje até parece um exagero falar disto, mas Carlos Paião era um dos meus ídolos, sabia as canções dele quase todas....fiquei desfeita, recusei-me a ver as notícias que falavam do acidente, queria fingir que não se tinha passado nada. Uns tempos depois quando se ouviu falar de uma situação que ainda hoje não está esclarecida (e que eu prefiro nem saber se ficou ou não), a partir daí decidi continuar a ver e a ouvir apenas o que me interessa da carreira de Carlos Paião, há tantas coisas boas para recordar dele, a sua musica, a sua alegria que provava que gostava do que fazia...enfim, deixo aqui a letra de uma canção, que é uma das que mais marcou a minha infância e provavelmente a infância de muita gente.

Carlos Paião - Cinderela by Carlos Paião
Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

[Refrão]
Então,
Bate, bate coração
Louco, louco de ilusão
A idade assim não tem valor.
Crescer,
vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias a avivar memórias, a deixar mistério
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.
Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada ninguém deu por nada, ele até
chorou...

[Refrão]

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos
planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.
E, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."

[Refrão]

Autor: Carlos Paião

sexta-feira, agosto 25, 2006

Chiado – 18 anos depois...


O mês de Agosto de 1988, foi terrível para Portugal, pelo menos na altura assim se ouvia falar.
No dia 25 de Agosto, Portugal acorda com a notícia que o Chiado estava a arder, lembro-me que a minha mãe deu-me a notícia deviam ser umas dez da manhã e o inferno já tinha começado umas quantas horas antes, mais propriamente perto das cinco da manhã. Fiquei em estado de choque... nesse dia não se ouvia falar de mais nada. Para além de um dia com um calor abrasador, a televisão mostrava a visão horrível de ver tanta história, tanta vida assim a desaparecer como que por magia...mas uma magia das que não gostamos de ver.
Uma situação destas só aconteceu porque a prevenção, nunca foi pensada e estudada como devia ser, os pavimentos da maioria destas casas eram de madeira(ainda hoje isso acontece em alguns sítios da baixa pombalina), sem falar é claro de outros graves problemas.
Aquele sítio para mim era especial, sempre que por lá passava, imaginava a quantidade de histórias passadas naquele local, as damas e os cavalheiros a passearem-se no passeio público, cada recanto, cada parede...tudo tinha de certeza algo para contar, um segredo escondido.
Para além disso, como ficavam agora as 1300 pessoas que trabalhavam naquele sítio...neste incêndio, arderam 7000 metros quadrados, 67 foi o número de empresas afectadas, ficaram 37 pessoas desalojadas, 73 feridos e dois bombeiros mortos.
No domingo a seguir fui lá com os meus pais, era impossível de me conseguir controlar, as lágrimas caiam - me cara abaixo, o cheiro era pavoroso .... olhava para a cara das pessoas, que tal como nós queriam confirmar o que pensavam que era apenas um sonho mau, mas o desalento por ver desaparecer algo de tão belo não enganava ninguém.
Ao longo dos anos fui acompanhando o renascer do Chiado, mas nada voltará a ser como antes...

terça-feira, agosto 22, 2006

Crónicas da vida de um gato

Olá, o meu nome é Neco e sou um gato entre milhões de gatos que vivem pelo mundo inteiro, mas eu sou diferente, porque estou numa casa onde todos gostam muito de mim, apesar de vez em quando apanhar umas palmadas porque como qualquer gato que se preze, gosto de fazer umas asneiras que...enfim me dão um prazer imensooo...
Gosto que me dêem para comer a minha ração seca, mas entro em delírio quando me trazem relvinha fresca para eu morder.
Não, não sou nenhum tourinho, mas o que querem os gatos também têm direito a ter os seus prazeres.
Agora de Verão, tenho sempre muito calor, ando sempre por baixo das camas lá de casa, mas no Inverno gosto mesmo é de me enroscar no colo dos meus donos, mas tenho uma predileção especial por me deitar em cima do peito do meu dono e têm que me fazer cócegas...mas só no meu pescoço, se me mexem no lombo dou meia volta e vou procurar outro poiso.
Apesar de pensarem que não, gosto muito de ver televisão, vejo tudo menos os jogos de futebol, porque lá em casa são todos muito impacientes, dou com cada salto quando começam “Passa, passa a bola. Vai...vai...nem sabes onde é que é a baliza... Golo...Gooooolooooo.....” (È tudo doído...)
Todas as semanas virei aqui dar umas sugestões aos apaixonados por nós, de como cultivar essa arte, vendo filmes, lendo livros e convidando outros gatos e gatas para dar a sua opinião sobre o mundo onde vivem.
A sugestão desta semana, é o filme Garfield 2, estreia a 24 de Agosto e a realização é de: Tim Hill
Na versão original as vozes são de: Bill Murray, Jennifer Love Hewitt, Breckin Meyer, Billy Connolly.
Na versão Portuguesa as vozes são de: António Feio, Pedro Laginha, Patrícia Bull, José Jorge Duarte, José Raposo.
Até para a semana....

Musica


Edith Piaf
Este “pequeno passarinho”, que com a sua voz rouca, fazia delirar multidões, nos dias que correm já quase ninguém se lembra das suas canções tais como,“Vie en Rose” , “Je ne regrette rien”, “Milord” e outras mais.
Esta mulher têm uma história de vida, para lá de dramática.
Nasce a 19 de Dezembro de 1915 e durante toda a sua infância sofreu na pele o abandono e indiferença da mãe.
Com uma figura frágil, no entanto forte, Edith Piaf viria a conquistar França e o mundo com a sua voz.
No ano de 1930 após um período de graves carências afectivas e não só, Edith Piaf tendo consciência da sua voz, inicia a sua carreira.
Apesar da sua aparência física não ser a melhor, Edith cantava pelas ruas, conseguindo sobreviver com as parcas moedas que as pessoas lhe atiravam das janelas.
Poucas pessoas o sabem, mas no ano de 1955 Edith grava no México com a nossa grande Amália Rodrigues, o filme “Musica de sempre”.
Após muitos sucessos, muitos concertos não só em França mas também nos E.U.A, após uma vida preenchida de boas e de más coisas, Edith Piaf morre no dia 10 de Outubro de 1963, na casa de Enclos de la Rorée.
Para sempre fica a sua voz e a sua irreverência para com a vida e para com o mundo que a rodeava.

Musica

Quem me conhece sabe que sou uma fã incondicional de Dulce Pontes, no entanto ando um bocadinho desgostosa, não só com a sua música como de quase não se ouvir falar dela.
Por onde andará? A fazer a sua tournée pelo estrangeiro?
É o mais provável, cantores como a Dulce, Madredeus e outros que tais, devem passar mais tempo no estrangeiro do que em Portugal.
Será que o panorama Musical Português, está assim tão mal que não exista espaço para todos, ou será os cachets destes artistas que são altos demais que se tornam incomportáveis aos olhos dos nossos produtores de espectáculos?
Fica aqui a pergunta, se alguém me souber responder...

segunda-feira, agosto 21, 2006

Poesia

Não sou muito dada a ler poesia, mas existe uma poetisa que me marcou pela sua simplicidade na escrita e também como pessoa.
Maria de Lourdes Agapito, conhecia-a há já alguns anos, numa noite de poesia, onde era convidada especial.
Brindou-nos com a sua companhia e no final do serão ofereceu a cada uma das meninas que estavam presentes um livro de sua autoria intitulado ”Para além do caminho” editado em 1992.
Hoje numa simples homenagem a uma mulher que me têm inspirado, deixo aqui dois dos seus poemas que eu mais aprecio:

"Silêncio que quero gritar”

Chegou a hora do silêncio,
quero gritar...gritar...gritar,
tenho asas, muitas asas...
e não me deixam voar...
Quanto mais grito, quanto mais sofro,
mais me apetece gritar!

Grito o calor da terra-Mãe
no crânio da campina,
grito, grito o meu gesto
suspenso desde menina!
Grito um só instante, em pensamento,
no ritmo que enrola o meu ser,
e abraço o azul de uma alma arrefecida
num corpo de mulher!

Grito este sentir que nasceu comigo
na vastidão do meu olhar...
quebrando o espaço que eu abraço,
de pé, na solidão do meu gritar!


"O meu grito"

Abram caminhos e deixem-me passar,
quero seguir o meu próprio destino,
sentir bem a minha vocação
e cantá-la como um hino!
Abram caminhos e deixem-me passar,
por entre a anónima multidão,
há muita inspiração por realizar
com os olhos no céu e os pés firmes no chão!

Abram caminhos e deixem-me passar,
achei caminhos que quero seguir,
encontrei a criação e quero louvar
a Natureza-Mãe na Primavera a florir!
Abram caminhos e deixem-me passar,
há uma voz e um grito dentro de mim,
como as flores que estão a desabrochar
e perfumam um sinuoso jardim!

Deixem-me passar abram caminhos,
quero viver com o direito de gritar;
que as rosas não são só folhas e espinhos,
abram caminhos e deixem-me passar...

domingo, agosto 20, 2006

Bem Vindos

Bem Vindos ao Bluestrass!
O Blog Bluestrass está no ar para dar a conhecer um pouco dos meus trabalhos artesanais (Bijutaria, pintura em tecido, arranjos florais, decorações natalícias e quem sabe mais alguma coisa).
Aqui também poderão encontrar comentários sobre livros, filmes, as minhas preferências musicais e artísticas, poesia, pintura, animais de estimação e principalmente sempre que encontrar algo de diferente, partilharei com vocês neste cantinho.
Sejam bem-vindos ao meu blog, façam o favor de entrar e estejam á vontade para comentar.